• Afonso Martins

Filantropia e Investimento Social


A palavra “filantropia” tem significado bastante positivo em alguns países, como nos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, mas não no Brasil, isso por um motivo óbvio. A filantropia em muitas vezes está associada à pratica de corrupção.


A filantropia é um dos aspectos da Sustentabilidade (ESG), porém um termo bastante controverso, devido as dificuldades que se tem para diferenciar as atividades éticas e filantrópica, além do fato de que as atividades filantrópicas podem ser praticadas apenas por interesses econômicos.


A filantropia convencional pode ser entendida como qualquer forma de recursos fora dos objetivos principais do negócio para apoiar ações e demandas da sociedade. Desse modo, acaba sendo vista como gasto para a organização.


Como descrito na norma ISO 26000, a filantropia, entendida como doações a causas beneficentes, pode ter um impacto positivo na sociedade, entretanto, convém que as organizações não a utilizem como um substituto para integrar responsabilidade social na organização. O desgaste do conceito de filantropia convencional , entendida como doações benemerentes desprovidas de conexões com os objetivos empresariais , levou a novos modos de pensá-la e, com isso, surgiram novas terminologias, como, por exemplo, filantropia estratégica e investimento social.


A Filantropia estratégica surge como uma forma das empresas promoverem a sua imagem através de publicidades. Considerando apenas o conceito convencional, as empresas tinham dificuldades para realizar ações e obter retornos favoráveis aos seus negócios, ou seja, retornos financeiros. Por isso, muitas empresas procuram dar a essas doações um cunho estratégico, justificando a expressão “filantropia estratégica”.


É um problema? Depende do posicionamento da organização. As doações verdadeiramente estratégicas conseguem atender simultaneamente a metas sociais e econômicas, ou seja, conseguem uma convergência de interesses entre a empresa e a sociedade.


E o que é ser filantropicamente estratégico?


A filantropia apresentará uma conotação estratégica quando representar melhor relação custo-benefício. As empresas precisam se inserir de maneira mais harmônica e solidária em questões de interesse da sociedade com benefícios tangíveis e intangíveis para o negócio.


Voltando a pergunta “É um problema?” Novamente, depende do posicionamento da empresa. A combinação de interesses comerciais com benefícios sociais não amesquinha a filantropia, desde que esses interesses sejam orientados por uma prática de gestão responsável coerente com os princípios da filantropia.

Quando uma empresa pratica uma filantropia realmente focada nos resultados sociais, ela difere radicalmente da filantropia feita apenas para melhorar a imagem pública da empresa. As ações filantrópicas podem combinar a busca de benefícios econômicos para a empresa com o cumprimento das metas consideradas importantes para o desenvolvimento sustentável.


Como é isso na prática?


Imagine uma grande empresa em uma determinada região que sempre precisa contratar funcionários com determinado nível de educação. A população do local tem um nível abaixo do que o exigido pela empresa e frequentemente precisa importar trabalhadores de outras regiões. Essa empresa pode investir na educação da comunidade e, automaticamente pode reduzir seus custos com treinamentos internos e todo o custo que envolve a importação de pessoal. Ao aproveitar o pessoal local, a empresa minimiza as dificuldades de adaptação à cultura local e ao isolamento da região, fatores que aumentam o turnover, dificultam a manutenção de um bom ambiente de trabalho e podem gerar problemas para assegurar elevados padrões de qualidade.


O outro termo que ganhou muita notoriedade, principalmente com a ascensão do ESG, é o de investimento social, conforme já citamos. Mas o que isso difere do gasto com filantropia?


A expressão investimento social, amplamente usada para substituir a palavra filantropia, no seu conceito mais convencional, pode não ter muita diferença na prática em algumas organizações, mas o termo denota uma preocupação com retorno, ou seja, espera-se de um investimento um retorno social benéfico que foi minimamente planejado. A mudança de gasto para investimento, pode parecer algo não muito importante, porém é de grande importância, principalmente para os dirigentes das organizações. Quando se fala em investimento, falamos também de compromisso com o retorno, alinhados com as estratégias e atividades da organização, o que sugere uma condução cuidadosa desde o seu planejamento até a sua conclusão e acompanhamento. Investimento social refere-se a compromisso com a resolução de problemas sociais e o envolvimento das competências e recursos da organização para alcançar resultados esperados.


Que termo utilizar?


Não importa muito o termo a ser utilizado, o que importa é que a preocupação social seja realmente responsável e que cause uma mudança positiva na sociedade onde a organização está inserida. Os termos podem ser ajustados, para esses e diversos outros temas. É importante frisar que as práticas sociais devem não apenas fugir dos esquemas de corrupção, mas também das práticas de Greenwhashing”, conforme já falamos aqui e encaixa-se perfeitamente nesse assunto.



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Afonso Matos Martins

Editor do blog

Engenheiro Ambiental, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Especialista em Engenharia da Qualidade para Engenharia da Produção, MBA em Gestão Empresarial.

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