• Afonso Martins

Diversidade corporativa como um dos pilares do sucesso


Num cenário mundial culturalmente diverso e dinâmico, torna-se cada vez mais necessário o pensar as formas de estabelecimento de um diálogo intercultural. Vivemos em um mundo onde não existem duas pessoas idênticas, isso falando sob o ponto de vista social, humano, e também corporativo. Compreender esta nova realidade é preciso entender que somos diferentes não apenas em grupos culturais, mas também em gênero, etnia, religião, condição física e muitos outros fatores. Isso é diversidade humana e investimento na diversidade humana é muito importante para a renovação da nossa percepção do desenvolvimento sustentável.

Durante muito tempo o cenário corporativo sempre foi muito pragmático. Havia forte defesa pela contratação de pessoas parecidas com as já existentes dentro da corporação. Acreditava-se que pessoas iguais são mais fáceis de se lidar e os objetivos seriam mais rapidamente alcançados. Esse ainda é um pensamento comum, mas cada vez menos frequente, principalmente em empresas com estratégia voltada ao desenvolvimento sustentável. A palavra inclusão e diversidade tem sido cada vez mais usada no mundo dos negócios e elas estão inteiramente ligadas. Abraçar a diversidade é também incluir. Quando incorporamos políticas voltadas à diversidade, estamos dando a oportunidade para pessoas que muitas vezes foram tidas como indesejadas por possuírem uma condição diferente do grupo já existente.

O mercado de trabalho muda de forma dinâmica e, atualmente não é mais bem-vinda, nem saudável para os negócios, a não inclusão de pessoas de diferentes comportamentos e/ou condições. A diversidade nas organizações melhora a competitividade, reforça o respeito às diferenças e traduz o combate ao preconceito e a discriminação. Diversidade não é mais tratado como “ação social” por muitas organizações e sim como “ estratégia de negócio”. Isso vale não apenas para o Marketing, mas, principalmente, na diversidade na solução de problemas e desenvolvimento de projetos.

A grande questão agora é como as empresas, sabendo da importância e necessidade de um programa de diversidade, pode implementá-lo com sucesso e com objetivo corretamente definido?


Segue abaixo cinco pontos que deve ser levado em consideração:

  • Liderança empenhada e alinhada na definição e implementação do programa

Não há como escapar, em todos os textos que falamos sobre desenvolvimento de programas, políticas etc. sempre pontuamos a necessidade do empenho da liderança. Com a diversidade não é diferente e talvez precisamos de maior empenho, tenho em vista que muitas das ações oriundas encontrarão barreiras estruturadas durante anos ou séculos, o que acaba gerando o que já tratamos neste blog como “preconceito inconsciente”. Não é uma tarefa fácil o corte das raízes do preconceito. É preciso que os líderes estejam conscientes do que é o programa e de como devem fazer com que ele aconteça.

  • Processo de seleção justo

Já falamos aqui sobre a necessidade e algumas formas de eliminarmos o preconceito inconsciente nos processos de admissão. Este é um dos principais pontos que devem ser trabalhado quando o assunto é diversidade cultural dentro das empresas. Resumidamente, o processo seletivo deve prezar pela capacidade do candidato em realizar as atividades propostas pela vaga, ao invés de observar outros parâmetros que deveriam ser irrelevantes.

  • Desenvolvimento de uma cultura voltada para a diversidade

É necessário não apenas estabelecer uma política de cima para baixo. É necessário o desenvolvimento de uma cultura da diversidade, assim como uma cultura da Qualidade, sobre a qual já falamos. A missão e a visão da empresa, precisam estar alinhadas com essa nova política, caso contrário, pode parecer falso, visando apenas o cumprimento de um requisito do mercado, ou de quem quer que seja.

  • Definições de ações constantes

É preciso que se programa eventos constantes de conscientização e envolvimento de todos os colaboradores, essa atividade pode ser, eu particularmente recomendo que seja, tratado dentro do programa de sustentabilidade corporativa. A chance de sucesso torna-se muito maior quando as atividades estão conectadas e são trabalhadas com um objetivo comum.

  • Adequação do ambiente de trabalho

O ambiente e as atividades do trabalho devem ser adequados para que todas as pessoas se sintam representadas e respeitadas. Pequenas ações podem fazer a diferença, por exemplo, uso de representações que atinjam todas as tribos nos comunicados da empresa, adequações de acessibilidade, layout e decoração do espaço, etc.


Por fim, há muitas vantagens para a empresa quando as questões de diversidade são tratadas com responsabilidade e comprometimento, detalharemos esses benefícios em outra postagem, porém cabe deixar que o fator ético deve ser colocado sempre em primeiro lugar. Ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor não tem preço.


“Não se limita a valorizar a diversidade cultural, nem a respeitar o direito de cada um a manter sua própria identidade. Busca ativamente construir relações entre grupos socioculturais. Implica uma disposição a aprender e a mudar no contato com o outro. Não coloca o fortalecimento de identidades como condição para o diálogo, mas assume que as identidades se constroem na própria tensão dinâmica do encontro, que se dá também muitas vezes no conflito, mas que se reconhece como fonte de desenvolvimento para todos.”

ANSIÓN, J. 2000 - Educar em la interculturalidade.

Afonso Matos Martins

Editor do blog

Engenheiro Ambiental, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Especialista em Engenharia da Qualidade para Engenharia da Produção, MBA em Gestão Empresarial.

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