• Afonso Martins

Diversidade, igualdade e inclusão de gêneros

Hoje, a questão de gênero está se tornando cada vez mais importante no local de trabalho. Há, sem dúvida, uma mudança de paradigma social. No entanto, uma sociedade que garanta igualdade, segurança e inclusão de todos os gêneros ainda está longe de ser uma realidade.


Com a crise do Covid, assistimos a uma mudança geral nos padrões do nosso cotidiano. Estamos mais apegados a nós mesmos, à nossa família e ao nosso trabalho do que antes. Além disso, muitos locais de trabalho mudaram para dentro das residências. Assim, as horas de trabalho e as expectativas em torno do trabalho também mudaram. Falar sobre gênero no local de trabalho é de grande importância e devemos naturalizar a conversa em torno de muitos assuntos que ainda hoje são considerados tabus. O nosso objetivo é lutar por um lugar que promova a igualdade, proporcione segurança e facilite a inclusão.



A maioria das pessoas e profissionais desconhecem, mas existem aproximadamente 64 termos para descrever a identidade e expressão de gênero. Embora não gostemos de “rótulos”, rótulos e linguagem são cruciais para a compreensão de gênero.

Você conhece muitas empresas nas quais existem mecanismos de reclamação dedicado a questões relacionadas a problemas sociais relacionadas a gêneros? Se sua resposta for nula, não é surpreendente.


A violência de gênero no local de trabalho pode se manifestar de inúmeras maneiras. Por exemplo: discriminação no emprego, estigma e exclusão baseados em gênero, assédio/estupro sexual, trabalho forçado, coerção sexual por colegas de trabalho, bullying, etc.

A menos que alcancemos um local de trabalho sem fronteiras de gênero, inclusive, com diálogo aberto sobre orientação sexual, vemos a necessidade de mecanismos internos que apoie as causas das pessoas que sofrem qualquer tipo de violência relacionada ao gênero. Sim, precisamos de mecanismos que tornem capaz a exposição suas preocupações de forma mais livre e sem preconceitos.

Para que tenhamos um local de trabalho mais seguro, igual e inclusivo para todos, é preciso que a organização trabalhe com foco em gênero e que incentive a diversidade e a inclusão. Diversidade e inclusão são frequentemente usadas de forma equivalente, mas são diferentes, embora relacionadas. É simples: se a organização não promove a diversidade, não haverá inclusão e se não houver inclusão, não haverá diversidade.


A discussão não deve parar apenas em ter uma quantidade representativa de todos os gêneros. Quando falamos de mulheres, por exemplo, é preciso falar também sobre a gravidez, a amamentação, a menstruação, etc. Quando falamos da inclusão LGBTQIAPN+, não basta apenas criar um programa para contratação direcionada, é preciso levar em consideração toda a bagagem que vem por trás e criar um ambiente onde todos se sintam acolhidos, que façam parte, que sejam incluídos e não apenas integrados.


O que uma empresa pode fazer para incluir?


  • Desenvolver políticas e procedimentos de igualdade de gênero. Concentrar-se em questões como a inclusão das mulheres, LGBTQIAPN+, diversidade, menstruação, incentivo ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal, etc. As empresas devem se esforçar para implementar essas políticas. Eles devem estabelecer critérios e referências mensuráveis ​​para avaliar seu desempenho na indexação de gênero.

  • Uma mudança de atitude entre os representantes da administração é indispensável. Uma verdadeira conscientização deve ocorrer em relação ao gênero. A linguagem apropriada em escritórios e residências deve ser usada. Isso só será possível se houver uma discussão mais aberta sobre esses temas que ainda causam tumultos.

  • Organizar cafés mensais ou trimestrais, ou pequenas reuniões de grupo. Convide os funcionários a falar sobre questões além do escopo do trabalho. Conversem sobre o que afetam seu bem-estar mental, emocional e físico. Essas oportunidades sempre permitem que os funcionários criem uma forte conexão emocional com a empresa, o que também resulta em melhor produção e forte retenção de funcionários.

  • Envolver-se com as partes interessadas locais, como escolas e faculdades, ONGs. Atividades de sensibilização organizadas serão sempre um passo em frente. Isso ajudará as instituições a perceberem a importância do discurso de gênero desde cedo. O ideal também seria criar comitês que tratam de questões relativas à sexualidade.

  • Organizar treinamentos regularmente. Os funcionários devem estar cientes de seus direitos, responsabilidades e violência no local de trabalho. Trabalhar em estreita colaboração com os gerentes interdepartamentais. O objetivo é configurar vários canais para lidar com reclamações. Com foco na abordagem de questões de gênero, garantindo que a justiça seja feita. E isso, pontualmente e respeitando o sigilo


Há inúmeras ações que podem ser realizadas para um local de trabalho consciente de gênero, é difícil de resumir em uma postagem como essa. O importante é caminhar rumo ao objetivo. É preciso que os empregadores assumam uma postura positiva em questões como igualdade de gênero, assim como de igualdade racial.