• Afonso Martins

Certificação ou acreditação hospitalar? Qual o melhor caminho a seguir?

Um amigo que está iniciando suas atividades na administração de um hospital, me fez um questionamento essa semana com relação a certificação ISO 9001 para hospitais e se a certificação era a mais adequada para garantir o atendimento ao paciente. Resolvi escrever esse texto com base nesse questionamento.


Como a preocupação inicial é que esse sistema reflita na qualidade de atendimento aos pacientes, vamos começar falando sobre isso.


Não é algo tão simples saber se o tratamento oferecido pelo médico ao paciente está sendo um tratamento de qualidade. De maneira geral, isso parece simples, porém, quando consideramos requisitos técnicos, por exemplo, a qualidade do atendimento não é algo tão fácil de ser mensurado. Essa mensuração é complexa tanto para os pacientes como também para os médicos ou administradores hospitalares.


A gestão da qualidade na área de saúde trabalha para medir os benefícios do trabalho de médicos e hospitais para a saúde e melhorar os resultados dos pacientes. Até que ponto isso pode ser medido e qual a precisão dessa medição?


Considerando que que o gerenciamento da qualidade na área de saúde trabalha para reduzir erros e melhorar o atendimento ao paciente, há dois fatores importantes a ser levados em consideração: segurança e eficácia de tratamento, afinal, é para isso que o paciente procura um hospital. A segurança e a eficácia do tratamento são duas das medidas mais críticas de qualidade hospitalares, torna-se ainda mais crítico pelo fato de que, na maioria dos casos, não há um padrão de serviços prestados, diferentes pacientes possuem diferentes necessidades de serviços.


A agência de pesquisa e Qualidade para Saúde americana descreve seis questões principais que tornam a gestão de Qualidade em organizações de saúde mais eficazes:

  • Segurança do paciente. Os cuidados médicos devem tornar os pacientes mais saudáveis ​​e não causar-lhes danos.

  • Eficácia. Prestar serviços que beneficiem o paciente. Não retenha os serviços de que eles precisam e não promova tratamentos que não farão diferença.

  • Cuidado centrado no paciente. As preferências, necessidades e valores do paciente devem orientar todas as decisões clínicas.

  • Oportunidade. Atrasos podem ser prejudiciais. Reduzi-los beneficia os pacientes.

  • Eficiência. A qualidade aumenta se você não desperdiçar equipamentos, suprimentos, energia ou ideias.

  • Equitativo. Independentemente da classe, sexo, etnia ou outras características pessoais do seu paciente, a qualidade do atendimento deve permanecer a mesma.

Pensando então sobre isso, vamos então ao questionamento. Que tipo de certificação ou acreditação é mais adequado para garantir a segurança e a saúde do paciente?

Primeiramente, gostaria de chamar a atenção para a diferença entre Certificação e acreditação, que é algo que já falamos neste post aqui. Clique para ler.


Acreditação não é a mesma coisa que certificação.


Adquirir uma Certificação Hospitalar quer dizer que o hospital passou por uma auditoria que atesta, por escrito, que seus processos, sistemas de qualidade e produtos estão em conformidade com os requisitos especificados. Em uma certificação o escopo é definido pela empresa que quer se certificar, ou seja, é ele que decide quais processos serão avaliados e quais ficarão de fora.


Para se conseguir uma Acreditação Hospitalar, além da avaliação dos processos, incluindo laboratórios, ocorre também o envolvimento de comunidades técnica, científica e/ou clínica. Por ter esse grau de exigência técnica, os auditores para acreditação devem possuir conhecimento técnico e conhecer dos processos laboratoriais, o que nem sempre é tão rígido nos processos de certificação.


Com base nas informações acima, sim, um hospital pode se certificar na ISO 9001, ou na ISO 45001, assim como também na ISO 14001, porém talvez não seja o mais adequado quando a finalidade é a eficácia dos tratamentos médicos, embora elas possam também colaborar para isso.


Então o que seria mais ideal?


A acreditação hospitalar é o mais adequado para se conquistar quando o assunto é a garantia da segurança e saúde do paciente.


Existe diversos programas de acreditação de saúde hospitalar, como por exemplo: ACI, HIMSS, JCI, NIAHO e a de maior destaque no BRASIL, a certificação ONA (Organização Nacional de Acreditação).


A ONA utiliza uma metodologia de avaliação reconhecida pela ISQua (International Society for Quality in Health Care), uma associação parceira da OMS e que conta com representantes de instituições acadêmicas e organizações de saúde de mais de 100 países. É voltada para atestar a qualidade dos serviços de saúde em nosso país e possui foco na segurança do paciente.


O processo de acreditação da ONA contempla três níveis:


  • Nível 1 (Acreditação) - demonstra que a instituição apresenta requisitos básicos de qualidade assistencial e segurança para o paciente;

  • Nível 2 (Acreditação Plena) - caracteriza a adoção de um plano de melhorias nos pontos avaliados para a conquista do próximo nível de acreditação;

  • Nível 3 (Acreditação com Excelência) - comprova que a instituição atingiu a excelência, adotando indicadores para a avaliação de resultados.

A eficácia e segurança dos tratamentos são particularmente importantes. Priorizar a gestão da qualidade nessas áreas produz os melhores resultados, ou seja, ajuda a salvar vidas.


Espero ter esclarecido um pouco sobre o assunto. Qualquer dúvida deixe nos comentários e se gostou, fique à vontade para compartilhar.


570 visualizações

Posts recentes

Ver tudo