• Afonso Martins

Economia circular - Conceito e princípios



O modelo econômico 'extrair, produzir, desperdiçar' da atualidade está atingindo seus limites físicos. A economia circular é uma alternativa atraente que busca redefinir a noção de crescimento, com foco em benefícios para toda a sociedade. A economia circular é um sistema regenerativo por intenção e design, onde o conceito de fim de vida é substituído pela restauração.

Essa economia é baseada em alguns princípios simples e que devem ser pensadas para cada tido produto.


Um dos princípios da economia circular está na eliminação de desperdício e ausência ou minimização de resíduos. Na economia circular os produtos são projetados e otimizados para um ciclo de desmontagem e reaproveitamento.


Outro importante princípio, ao contrário da maioria dos consumíveis de hoje, está no uso de ingredientes biológicos ou 'nutrientes' que são pelo menos não tóxicos e possivelmente até benéficos, e podem ser devolvidos com segurança à biosfera, seja diretamente ou em uma cascata de usos consecutivos.


E quanto os produtos duráveis?

Vamos ter como exemplo a produção de motores ou computadores, por exemplo, esses produtos são feitos de nutrientes técnicos inadequados para a biosfera, como metais e a maioria dos plásticos. Embora tenham essa característica, na economia circular eles são projetados desde o início para reutilização, e os produtos sujeitos a rápido avanço tecnológico são projetados para atualização.


Outro princípio da economia circular está no uso de energias renováveis por natureza para a alimentação desse ciclo, novamente para diminuir a dependência de recursos e aumentar a resiliência dos sistemas (a choques do petróleo, por exemplo).


Para os produtos duráveis, a economia circular substitui amplamente o conceito de consumidor pelo de usuário. Isso exige um novo contrato entre as empresas e seus clientes com base no desempenho do produto. Ao contrário da economia atual de compra e consumo, produtos duráveis ​​são alugados, alugados ou compartilhados sempre que possível. Se forem vendidos, existem incentivos ou acordos em vigor para garantir a devolução e, a partir daí, a reutilização do produto ou de seus componentes e materiais ao final de seu período de uso primário. É o que acontece de forma muito visível no comércio de carros, por exemplo. Várias empresas passaram a atuar com aluguel de carros, com contratos de pequenos a longos períodos.



Todos os princípios da economia circular conduzem a quatro fontes claras de criação de valor que oferecem maneiras de aproveitar a diferença de preço entre materiais usados ​​e materiais ainda virgens.

1 - O poder do círculo interno - Quanto mais apertado for o círculo, ou seja, quanto menos um produto precisar ser alterado na reutilização, renovação e remanufatura e quanto mais rápido ele voltar a ser usado, maior será a economia potencial nas ações de material, trabalho, energia e capital ainda incorporados no produto, e as externalidades associadas (como emissões de gases de efeito estufa (GEE), água e toxicidade).

O poder de circular por mais tempo se refere à maximização do número de ciclos consecutivos (seja reparo, reutilização ou remanufatura completa) e/ou o tempo de cada ciclo. Cada ciclo prolongado evita o material, a energia e o trabalho necessários para criar um novo produto ou componente.

O poder do uso em cascata refere-se à diversificação da reutilização em toda a cadeia de valor, como quando roupas de algodão são reutilizadas primeiro como roupas de segunda mão, depois passam para a indústria de móveis como enchimento de fibra em estofados, e o enchimento de fibra é posteriormente reutilizado em isolamento de lã de rocha para construção - substituindo um influxo de materiais virgens na economia em cada caso - antes que as fibras de algodão sejam devolvidas com segurança à biosfera.

O poder dos insumos puros, reside no fato de que fluxos de material não contaminado aumentam a eficiência de coleta e redistribuição, mantendo a qualidade, principalmente de materiais técnicos, que por sua vez estende a longevidade do produto e, portanto, aumenta a produtividade do material.

Essas formas de aumentar a produtividade do material não são apenas efeitos pontuais que afetarão a demanda de recursos por um curto período de tempo. Essas formas tem um poder duradouro e podem, portanto, agregar vantagens cumulativas substanciais, pois alteram a taxa de execução de entrada de material necessária.

Diversas empresas já adotaram a economia circular como sua estratégia de negócio. Há no mercado diversos produtos e contratos inovadores projetados para a economia circular - desde designs inovadores de materiais e produtos diários (por exemplo, embalagens de alimentos biodegradáveis ​​e impressoras de escritório fáceis de desmontar) até contratos de pagamento por uso (para pneus por exemplo).


“Os bens de hoje são os recursos de amanhã aos preços dos recursos de ontem

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