• Afonso Martins

Pensar globalmente, agir localmente



Nos últimos anos, as ideias sustentáveis têm ganhado uma proporção imensurável, principalmente após a evolução do tema para o ESG. A ideia de um mundo sustentável para todas as gerações sem prejudicar o meio ambiente é um objetivo social desejado, é fato, e acrescido a isso surge-se, então, os interesses econômicos, o que acaba fazendo com que seja uma ideia muito popular no mundo todo.

Mas não é apenas de flores que se faz a primavera. Críticas ao desenvolvimento sustentável também não faltam, desde as amigáveis, que aceitam a ideia mas colocam dúvidas quanto à sua efetividade, até as mais duras, como as que entendem ser esta mais uma trapaça do capitalismo, razão pela qual muitas empresas teriam aderido ao movimento com uma celeridade até então nunca vista.

O movimento do desenvolvimento sustentável baseia-se na percepção de que a capacidade de carga da Terra não poderá ser ultrapassada sem que ocorram grandes catástrofes sociais e ambientais. Mais ainda, já há sinais evidentes de que em muitos casos os limites aceitáveis foram ultrapassados, como atestam diversos problemas ambientais gravíssimos, como o aquecimento global, a destruição da camada de ozônio estratosférico, a poluição dos rios e oceanos, a extinção acelerada de espécies vivas, bem como os sérios problemas sociais, como a pobreza que afeta bilhões de humanos, os assentamentos urbanos desprovidos de infraestruturas mínimas para uma vida digna, a violência urbana, o tráfico de drogas e as epidemias globalizadas, como a AIDS, o ebola, e o COVID-19, pandemia a qual estamos vivenciando. Todos esses problemas globais só podem ser resolvidos com a participação de todas as nações, governos em todas as instâncias e sociedade civil.

Resumindo, não faz sentido algum uma ação centralizada em um determinado país, ou um determinado setor. A luta pela sustentabilidade exige que seja global para que se possa ter sucesso. Trazendo mais para nossa realidade, acontece da mesma forma como as ações necessárias para conter o coronavírus causador da COVID-19, é preciso de ações sobre toda população mundial, como, por exemplo, vacinação.

Mas, se já é problemático encontrar denominadores comuns para ações localizadas no departamento de uma empresa sobre assuntos do seu cotidiano, o que se esperar quando o que está em jogo são os interesses globais que, muitas das vezes, parecem uma outra realidade além do que a vivenciada localmente pela organização?

Como já dito, os problemas globais citados só podem ser resolvidos com a participação de todas as nações, governos em todas as instâncias e sociedade civil, cada uma em sua área de abrangência. As empresas, independente de tamanho, cumprem papel central nesse processo. além do fato que muitos problemas socioambientais foram produzidos ou estimulados pelas atividades de mercado.

Não se deve esperar por condições ideais nos planos internacionais e nacionais para só então começar a agir. A empresa não precisa, por exemplo, esperar que a legislação do país onde esteja localizada adote uma dada convenção da Organização Internacional do Trabalho para tratar melhor seus empregados. É preciso agir pontualmente para que alcancemos um resultado global. Como o ditado que diz que de grão em grão a galinha enche o papo, as ações para a sustentabilidade também devem ser tratadas da mesma forma. É preciso pensar globalmente e agir localmente.


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