• Afonso Martins

Desafios pela Sustentabilidade - Formação de líderes e engajamento de Stakeholders



Dentre vários desafios que encontramos na implementação de um programa de sustentabilidade, a formação de líderes dentro do ambiente de trabalho e o envolvimento das partes interessadas são os mais significativos e que carecem de maior energia para serem superados. A formação dos líderes passa, inicialmente pelo engajamento de cada um desses líderes para que, após engajados possam ser qualificados para exercerem as suas funções de disseminação de ações e consciência sustentável. A formação de líderes é extremamente importante para que um programa de sustentabilidade atinja o seu nível mais elevado de maturação. Com líderes bem formados todas os outros desafios serão superados mais facilmente, pois os trabalhos serão realizados em equipe.

Superado o desafio da criação de líderes internos, surge então a necessidade de expandir a ideia a todos os que, de forma direta ou indireta, influenciam ou são influenciados pelo negócio, trata-se de envolver as partes interessadas do programa.

O envolvimento dos stakeholders é a principal ação a ser tomada para que o programa de sustentabilidade tenha sucesso. O programa de engajamento das partes interessadas torna-se menos difícil quando a formação de líderes foi feita de forma adequada, pois há mais pessoas focadas no desenvolvimento do projeto, em especial no envolvimento das partes interessadas. É preciso além de envolver os stakeholders, identificar os fatores que influenciam cada uma das partes e planejar a atuação de cada uma dentro do programa de sustentabilidade estabelecido.

O Informal Working Group on Participatory Approaches and Methods to Support Sustainable Livelihoods and Food Security (IWG-PA), de iniciativa da FAO, define a participação dos stakeholders como um processo justo e dinâmico de alcance de todas as partes interessadas na formulação de estratégias e políticas de desenvolvimento e na análise dos resultados, planejamento, execução e acompanhamento das ações e avaliação das atividades.

Os stakeholders são todos os envolvidos no projeto ou aqueles cujos interesses venham a ser afetados em resultado da execução do projeto. Para permitir um processo de desenvolvimento mais justo, os stakeholders menos influentes precisam adquirir capacidades para aumentar o seu nível de informação, influência e controle sobre os meios de permanência, incluindo ações de desenvolvimento que lhes cabe.

As principais dificuldades encontradas relacionadas ao envolvimento das partes interessadas são ligadas à necessidade de não apenas questionar, mas também informar, capacitar e engajar cada um deles no projeto. Há necessidade de clareza na transferência de informação para que a parte interessada se veja ajudando e também sendo ajudado pela organização. É preciso ainda, identificar os stakeholders que poderão influenciar negativamente; os que podem influenciar, mas não tem interesse em ajudar no momento, etc. Segundo Savage, quanto maior a dependência do stakeholder, maior é à vontade em cooperar. Logicamente isso torna-se proporcional quando diminui o grau de influência.

A dificuldade no engajamento atinge tanto as partes internas como externas. Internamente a dificuldade é aumentada quando a quantidade de recursos humanos disponíveis para realização das atividades fins da empresa já é escassa. Os colaboradores da organização têm a predisposição de interpretar as ações voltadas à sustentabilidade como serviços extras. Normalmente os colaboradores estão dispostos a cumprir as políticas, mas não estão muito engajadas em construí-las, principalmente quando as empresas têm histórico de abandono de projetos e/ou não dão reconhecimentos aos participantes. Entramos então no mérito do desenvolvimento da cultura sustentável.

No modelo proposto por Deetz, mais voltado para o enfrentamento de ideias do que de consenso, há uma defesa de expectativas mínimas em um processo de engajamento que devem ser levados em consideração, sendo eles:

  • Oportunidade de manifestação de forma recíproca;

  • Igualdade nas capacidades de expressão;

  • Irrelevância de níveis hierárquicos;

  • Investigações abertas e mais livremente possíveis para o alcance dos objetivos;

  • Divulgação completa, independente e transparente, dos processos decisórios do negócio;

  • Abertura para argumentações de fatos, conhecimentos, contestação na forma de definição das ações, criação de conhecimento e geração de informação.

Não há necessidade pode não ser muito enriquecedor o consenso de ideias nesse caso, mas os princípios precisam estar alinhados entre todos, o que também é um desafio para os líderes do programa.

Os líderes, também chamados de multiplicadores, devem ter como objetivos manter as partes interessadas informadas sobre as ações de sustentabilidade desenvolvidas na organização e também envolvê-los não só na inclusão dessas atividades em seu dia a dia como também na apresentação de sugestões de novas ações ligadas ao tema.

#Sustentabilidade #desenvolvimento #governança #Engajamento

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Afonso Matos Martins

Editor do blog

Engenheiro Ambiental, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Especialista em Engenharia da Qualidade para Engenharia da Produção, MBA em Gestão Empresarial.

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