• Afonso Martins

Coronavírus: Uma questão para Gestão de Riscos



Nenhuma organização é intocável. As ameaças são inerentes a todos e, quando falamos sobre riscos, existem aqueles que conseguimos prever e evitar e os que nos surpreendem e nos forçam a atuar rapidamente para minimizar, o máximo possível, seus impactos nos negócios, é o caso do novo coronavírus.

Antes de continuarmos com o assunto, devemos ter claro que gestão de riscos não é manter uma planilha em Excel atualizada. Gestão de risco trata-se de definições de ações para minimizar impactos e reduzir a probabilidade de danos. Gestão de risco é saber como lidar com as variáveis que surgem durante a crise. É preciso planejamento, antes de tudo, assim como para todas as outras ações as quais já tratamos por aqui.

A forma como a gestão de riscos é realizada pode definir a real identidade da organização, por isso é preciso que seja feita com responsabilidade. A gestão de risco deve mostrar cuidados que interfiram em todos os pilares da Sustentabilidade corporativa.

É evidente a necessidade das empresas se preocuparem em ter um plano de contingência, para tomar atitudes mais assertivas e eficientes ao enfrentar esse tipo de risco inesperado. Na metodologia clássica dos cinco passos para gerir riscos estão previstas as seguintes etapas:

  • Identificação: mapeamento e compreensão dos riscos;

  • Análise qualitativa: definição do nível de importância de cada risco e a probabilidade de ele ocorrer;

  • Análise quantitativa: avaliação dos impactos e dos efeitos causados pelos riscos;

  • Planejamento de respostas: definição das ações, em caso de ocorrência da ameaça, para minimizar os efeitos;

  • Monitoramento: acompanhamento dos processos de prevenção, para garantir que estão sendo executados.

Nesse cenário, é necessário revisitar os cinco passos da gestão de riscos, não só olhando para o risco primário da contaminação das pessoas, mas também os riscos secundários na cadeia de suprimentos e na economia mundial.

É preciso pensar no meio ambiente. É preciso pensar no faturamento do negócio. É preciso honrar os compromissos firmados com os nossos clientes. É preciso pensar na segurança e saúde das pessoas. É preciso contribuir para o bem-estar e desenvolvimento social. Todas essas variáveis podem e devem estar contempladas na gestão de risco e devem ser tratadas em conjunto para que ações sobre uma das variáveis não acarrete na desordem de outra. Por exemplo: é preciso que os clientes sejam atendidos, mas com os colaboradores indo ao escritório eles se expõem com maior frequência ao coronavírus, logo, cria-se políticas para que os colaboradores trabalhem de suas casas. Os colaboradores não estão habituados a trabalharem em home office, então é preciso investimento em treinamento e conscientização, tanto na organização do trabalho como também na convivência familiar e em como ele pode ajudar na conscientização da sua família para diminuir a exposição ao vírus, ajudando a diminuir, também, a necessidade de internações.

Imagine que consigamos criar métodos para reduzir a taxa de infecção, fazendo com que menos pessoas necessitem de internação hospitalar. Talvez você pense: mas a quantidade de funcionários que temos é insignificante. Mas quantos dos nossos clientes você pode influenciar? E quantas famílias podem ser influenciadas? Quanto estaremos agregando para a sociedade diante da crise?

Além disso, podemos contribuir quando reduzimos o impacto causado aos nossos clientes e fornecedores. Se criamos incentivos para que nossos clientes tenham suas dificuldades reduzidas, várias pessoas podem ser poupadas de uma demissão, o que reflete diretamente no bem-estar de toda uma família. Por isso, apoie os seus clientes e fornecedores.

Apoie os seus stakeholders com mensagens de assertividade, com mensagens de esperança, use todas as ferramentas de comunicação disponíveis para que todos os envolvidos no seu negócio se sintam animados com o futuro pós-crise. Torne-se protagonista nessa luta pelo bem-estar.

Por fim, tenha um time e acredite nele. Dê permissões e condições para que se engajem e tome decisões nos projetos a qual estão envolvidos, principalmente nos que envolvem a análise de riscos. É correto afirmar que não é hora de planejar crescimento e bater metas, mas não fique só na defensiva, crie métodos para manutenção do negócio e para valorização dos seus colaboradores e clientes. A crise tem dia para acabar e a sua empresa precisa estar viva quando esse dia chegar.

Afonso Matos Martins

Editor do blog

Engenheiro Ambiental, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Especialista em Engenharia da Qualidade para Engenharia da Produção, MBA em Gestão Empresarial.

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