• Afonso Martins

Desafios para Cidades Sustentáveis - Inovação e Recursos Humanos



A medida em que uma cidade cresce, cada vez mais torna-se mais difícil o equilíbrio entre as questões espaciais, sociais e ambientais. No Brasil este fator é ainda mais visível, além de termos uma população urbana superior a 85%, fazendo com que o Brasil esteja entre as maiores taxas do mundo, nossas cidades cresceram de forma rápida e desordenada, dificultando ainda mais o equilíbrio dos pilares de sustentação da sustentabilidade urbana.

Temos então o grande desafio: enfrentar os problemas urbanos com objetivo de proporcionar aos cidadãos uma melhor qualidade de vida, ao mesmo tempo manter e incrementar o crescimento econômico, garantir a sustentabilidade ambiental e social, garantindo que toda a população usufrua do que deve ser “bem comum”.

Sabendo do nosso desafio, é preciso traçar caminhos para que possamos chegar ao nosso objetivo, entra então em campo a necessidade de inovação para que consigamos resultados cada vez mais concretos e duradouros. A inovação é um tema fundamental para estruturação de cidades inteligentes e sustentáveis. As cidades inovadoras podem produzir impactos positivos para o desenvolvimento humano, permitindo que uma cidade seja pensada de maneira integral, explorando as suas diversas inteligências para a estruturação de um planejamento inteligente.


O que seria esta inovação?

Inovação é o ato ou efeito de inovar, ou seja, tornar algo novo, renovar, ou introduzir uma novidade, conforme escreveu Tidd, Bessant e Pavitt (2008), isto é, inovar é oferecer algo novo ou modificado à sociedade, resultantes de um processo de aprendizado das rotinas que geram competências e capacitações, que podem estar condicionadas pela interação de agentes econômicos, produtivos e de desenvolvimento de tecnologias.

O desenvolvimento de novas tecnologias e a complexidade do panorama urbano criam novas facilidades, serviços e produtos que irão transformar a realidade das cidades, tais como: impressoras 3D, que poderão revolucionar o setor da construção civil e contribuir para suprir o déficit habitacional das cidades; os sistemas de big data e Análise, que poderão criar indicadores em tempo real para melhorar a governança e a tomada de decisão dos gestores públicos; inteligência artificial (IA), que irá impulsionar a eficiência das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC); e a expansão da Internet das Coisas (IoT), que irá integrar bilhões de objetos e sensores a internet,etc.


E se não houver condições para inovação tecnológica?

Apesar da ênfase nas inovações tecnológicas, não necessariamente este é o único ou o ideal para a inovação das cidades, pelo contrario, inovação é algo amplo e não deve ser vista apenas pelo aspecto tecnológico. É o que chamamos de inovação polissêmica. A inovação pode estar em diferentes métodos e maneiras que se utiliza para modificar os processos, serviços, produtos, estruturas, ambientes e políticas, etc.

Pensando ainda sobre a falta de recursos de muitas cidades brasileiras, associado as inovações além das questões tecnológicas, destaca-se o que chamamos de “inovação frugal” a qual consiste em tornar produtos e serviços mais baratos e simples para que sejam acessíveis para toda uma população. A inovação frugal cria produtos e soluções com grande valor social, pois são simples, de boa qualidade, com grande funcionalidade e acessíveis para populações de baixa renda.


Recursos humanos para o desenvolvimento de uma cidade sustentável

O desenvolvimento de uma cidade inteligente exige um novo modelo de governança urbana, o qual deve ser inclusivo e participativo. O aprimoramento dos sistemas de governança participativos possibilita a criação de políticas públicas sistêmicas e resultados positivos para o desenvolvimento sustentável. A participação dos cidadãos na modelagem e criação da cidade permite o estabelecimento de uma visão coletiva, compartilhada e de longo prazo, permitindo que os investimentos públicos sejam realizados de maneira direta para atender as principais expectativas de uma população. Além disso é importante que as cidades participem de redes de transferência de conhecimentos e de tecnologias, no intuito de otimizar os seus processos e resultados, possibilitando a resolução de problemas de diferentes complexidades por meio, por exemplo, da inovação frugal.

Uma cidade mais inteligente se faz com cidadãos inteligentes, de maneira que criem processos colaborativos e resultados para a sustentabilidade. Assim, a inovação urbana passa pela formação de recursos humanos e a utilização de capital social, uma vez que a ação humana é responsável pela prosperidade das cidades. É necessária a participação da sociedade na produção e uso do conhecimento, dado que conhecimento não aproveitado e não implementado se perde, não trazendo benefícios à sociedade.


Resumindo...


É preciso ações para vencer os desafios-fim relacionados ao conceito de sustentabilidade e à qualidade de vida como: a redução das desigualdades sociais incluindo acesso à tecnologia e inovação, e das desigualdades socioeconômicas entre cidades e países; proporcionar sistemas de democracia e governança participativos e inteligentes; e visão de cidade inteligente não apenas tecnológica, mas que compreenda os cidadãos e a gestão dos recursos disponíveis. Para se alcançar esses objetivos, existem outros desafios que apontam caminhos, sendo eles: transferência e tecnologia em escala; infraestrutura de computação em escala; priorização de interesses de longo prazo; geração de capacidade técnica e de gestão para diagnósticos complexos, multi-critérios e criação de soluções fazendo dialogar teoria e prática, aproximar academia e instituições de ações; financiamento de estudos e da implantação de soluções, etc. Os recursos para o desenvolvimento de uma cidade sustentável são os próprios moradores e para que tenham participação efetiva é preciso engajá-los, mostrando as ações e os benefícios que a cidade terá.


Leia sobre a ISO 37120:2017, a primeira norma técnica brasileira voltada para cidades sustentáveis.

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